Ficha de Inventário

Canada do Inferno/Rocha 1

  • Museu: Museu do Côa
  • Nº de Inventário: Canada do Inferno - Registo 1
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Arte parietal
  • Dimensões (cm): Alt. 270 x Larg. 225
  • Descrição: A rocha 1 da Canada do Inferno foi a primeira a ser identificada na região com arte paleolítica, constituindo assim a origem da descoberta do grande complexo da arte do Côa. Mantém-se hoje como uma das conhecidas rochas decoradas da região, integrando o conjunto das mais importantes da arte do Côa, não só na Canada do Inferno mas no todo da região. É um grande afloramento de xisto, localizado sobre a confluência da ribeira da Canada do Inferno com o Côa, na margem esquerda da ribeira e no topo do maciço rochoso que enfrenta o Côa e que apresenta a maior densidade de rochas decoradas do sítio. Encontra-se a cerca de 15/20 metros acima do antigo leito do rio Côa mas presentemente, com a subida artificial das águas pela influência da albufeira do Pocinho, está a pouco mais de dois metros acima do actual nível de água. O afloramento apresenta uma diáclase vertical onde foi realizada toda a decoração, orientada a Este-Sudeste, perpendicular à ribeira e voltada ao Côa. A decoração distribui-se por duas zonas distintas do painel, e foi toda realizada por gravação, com recurso a três técnicas distintas: picotagem, abrasão e incisão. A picotagem é a mais frequente, complementada nalgumas figuras pela abrasão. Há uma figura, um caprino na parte superior, em que a estas duas técnicas se adiciona ainda a incisão, mas esta última técnica surge mais frequentemente compondo figuras por inteiro. Estilisticamente, todas as figuras, num total de 18 inventariadas, pertencem à mesma fase cronológica do Paleolítico Superior, o Gravetto/Solutrense. Na parte intermédia do painel e do lado direito surge isolada uma figura de um animal indeterminado com duas cabeças a simular movimento. Todas as restantes figuras estão aglomeradas em densa sobreposição na parte superior do painel, estando representados todos os quatro tipos de animais típicos da arte paleolítica; auroques, cavalos, caprinos e um cervídeo, com claro predomínio dos auroques. De Época Histórica surge unicamente um tosco cruciforme na zona central do painel, sobreposto a um dos motivos paleolíticos incisos, e que parece ter sido realizado durante a altura do início da grande controvérsia, provavelmente em inícios de 1995.
  • Origem/Historial: A rocha 1 da Canada do Inferno foi descoberta em 20 de Novembro de 1991 por Nelson Rebanda, no início dos trabalhos do chamado “Projecto Arqueológico do Côa”, para estudar os vestígios patrimoniais a afectar pela barragem do Côa, sendo assim a primeira rocha com arte paleolítica a ser identificada no complexo da arte do Côa. No início da grande polémica do Côa, em finais de 1994 e princípios de 1995, irá tornar-se das rochas mais mediáticas e mais conhecidas na região. Em 1994 foi efectuado o seu levantamento completo, ainda antes da divulgação pública, e publicado várias vezes desde 1995, e foi repetidamente objecto de numerosos registos fotográficos ao longo dos últimos anos. A partir de 1996 passou a integrar o circuito da visita pública ao sítio da Canada do Inferno.

Bibliografia

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Multimédia

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